
Será que brechó dá dinheiro? A resposta pode ser sim, desde que o seu negócio tenha controle sobre compra, preço de venda, despesas e velocidade de saída das peças.
Para quem começa com pouco dinheiro, o segmento permite testar o mercado antes de assumir gastos maiores com aluguel e estrutura.
E aqui vai um ponto positivo: o mercado brasileiro mostra espaço para esse tipo de negócio, pois segundo dados do Sebrae, o Brasil chegou a cerca de 118 mil brechós ativos, enquanto o setor tinha projeção de movimentar R$ 24 bilhões em 2025.
Isso não significa que qualquer brechó terá esse faturamento. O resultado depende do tamanho da loja, do público, dos preços, da quantidade de peças vendidas e dos gastos mensais. E é nisso tudo que vamos nos aprofundar neste texto!
O investimento inicial de um brechó geralmente começa com poucos recursos quando a venda acontece pela internet e o estoque é pequeno.
Nesse modelo, você tem a chance de começar de casa, por exemplo, vendendo pelas redes sociais, WhatsApp e espaços que já tem.
Para falarmos mais diretamente de quanto custa abrir um brechó, vamos pensar em um exemplo simples que envolve começar com R$ 2.000:
Item | Valor estimado |
| Compra de peças | R$ 1.200 |
| Araras, cabides e caixas | R$ 300 |
| Embalagens | R$ 100 |
| Fotos e divulgação | R$ 150 |
| Reserva para despesas | R$ 250 |
| Total | R$ 2.000 |
Vale reforçar que esses valores são apenas uma referência para montar uma primeira conta.
Quem já tem cabides, móveis ou peças para vender consegue gastar menos.
Também é possível começar com um modelo de consignação, no qual outras pessoas deixam roupas para serem vendidas e recebem uma parte do valor depois da venda.
Para uma pessoa que trabalha sozinha, começar menor é algo que facilita o controle do estoque, afinal, uma loja física exige despesas adicionais, como aluguel, contas, mobiliário, fachada e eventuais reformas.
Brechó dá dinheiro mesmo quando você começa com um estoque pequeno, desde que o dinheiro disponível seja distribuído de maneira cuidadosa.
Se você ainda não sabe como começar a montar uma reserva de emergência, dê o play no vídeo abaixo:
Voltando para os investimentos do seu brechó, o ponto principal é evitar colocar todo o dinheiro disponível em roupas. Uma peça parada representa dinheiro que ainda não voltou para o caixa.

A margem de lucro de um brechó varia bastante porque o custo de aquisição das peças costuma ser muito diferente.
Uma roupa recebida em consignação, por exemplo, tem uma estrutura de custo diferente de uma peça comprada diretamente de uma pessoa ou de um fornecedor.
Imagine uma peça comprada por R$ 20 e vendida por R$ 50. Antes das outras despesas, sobram R$ 30 entre o preço de venda e o custo da peça.
A margem bruta, nesse caso, seria de 60% sobre o preço de venda.
Custo da peça | Preço de venda | Margem bruta |
| R$ 10 | R$ 30 | 66,7% |
| R$ 20 | R$ 50 | 60% |
| R$ 30 | R$ 70 | 57,1% |
Mas atenção: essa conta ainda não representa o lucro final. É preciso descontar despesas como embalagem, taxas de pagamento, anúncios, transporte, aluguel e outros gastos do negócio.
Por isso, brechó dá dinheiro quando você, empreendedor/a, acompanha a margem depois de considerar todos os custos, e não apenas a diferença entre compra e venda.
A precificação deve considerar quanto foi gasto para colocar a peça disponível para venda e quanto o público está disposto a pagar por ela.
Uma fórmula simples para começar é:
Preço de venda = custo da peça + despesas relacionadas + margem desejada
Por exemplo, uma camiseta comprada por R$ 15 pode ser anunciada por R$ 35. Porém, antes de definir o valor, vale considerar se ela está em bom estado, se é de uma marca procurada e se existem peças semelhantes sendo vendidas por preços próximos.
Para entender a conta, imagine que, além dos R$ 15 pagos pela camiseta, você tenha R$ 2 de embalagem e R$ 3 de taxa de venda. O custo total fica em R$ 20.
Se a camiseta for vendida por R$ 35, a conta fica assim:
Nesse caso, os R$ 15 representam cerca de 42,9% do preço de venda.
Ainda é importante considerar outras despesas do brechó, como transporte, divulgação, aluguel e contas, quando houver.
Se você quer se aprofundar mais em precificação, confira o vídeo a seguir:
O giro de peças mostra a velocidade com que o estoque é vendido e substituído. Para um brechó pequeno, acompanhar esse indicador ajuda a identificar quais produtos estão trazendo dinheiro de volta para o caixa.
Imagine três situações:
O terceiro grupo pode indicar uma procura maior por bolsas, enquanto as calças talvez precisem de outra faixa de preço, divulgação ou seleção.
Algumas medidas ajudam a acompanhar o giro:
Também vale criar campanhas para produtos que estão há muito tempo no estoque. Um desconto pequeno pode ser melhor do que manter dinheiro parado durante meses.
Leia também: 10 ideias de conteúdo para brechó vender mais
Brechó dá dinheiro pela internet quando você consegue apresentar bem as peças e facilitar a compra.
Neste sentido, Instagram, WhatsApp e marketplaces podem ser usados para testar o seu negócio sem assumir imediatamente o custo de uma loja física.
Por exemplo, os brechós de Instagram são uma alternativa de baixo custo, desde que haja atualização frequente dos produtos e boas fotos.
Nele, você tem a chance de publicar combinações completas.
Mas reforçamos que a apresentação influencia a percepção de valor.
Portanto, fotos claras, medidas, informações sobre conservação e regras de troca ajudam o cliente a decidir.
No vídeo a seguir, damos dicas de como tirar boas fotos dos seus produtos com o celular:
Sim, brechó dá dinheiro com pouco estoque quando as peças escolhidas têm boa procura e o dinheiro retorna rapidamente ao caixa.
Para quem está no começo, comprar 100 peças de uma vez pode ser arriscado. Um estoque menor permite descobrir quais tamanhos, estilos, marcas e categorias têm maior saída.
Uma estratégia seria começar com 30 a 50 peças, acompanhar as vendas durante algumas semanas e usar os resultados para definir as próximas compras.
Você também pode trabalhar com consignação para ampliar a variedade sem precisar comprar todas as peças antecipadamente.
Se você precisa de dinheiro para começar, pesquise alternativas de crédito para MEI, empréstimos para empresas iniciantes e crédito para CNPJ, conforme o enquadramento e as regras de cada instituição.
Porém, o nosso alerta é que o crédito deve entrar no planejamento antes da contratação.
Por isso, é importante calcular quanto será pago no total, qual será o valor das parcelas e quanto o brechó precisa vender para cobrir essa despesa.
Por exemplo, se uma parcela mensal for de R$ 400, você precisa considerar esse valor junto das demais despesas antes de decidir quanto pode retirar do negócio.
Para quem ainda está no início, é mais seguro testar as vendas com recursos próprios ou um estoque pequeno antes de assumir uma dívida maior.
Mas se você está considerando o crédito, dê uma olhadinha no vídeo abaixo em que falamos sobre tudo que você precisa saber antes de solicitar crédito ou microcrédito:
Brechó dá dinheiro quando existe uma combinação entre compra bem feita, preço coerente, controle de despesas e venda frequente das peças.
O tamanho do investimento não determina sozinho o resultado. Um brechó iniciado com R$ 1.500 pode ter melhor desempenho que uma loja que recebeu R$ 20 mil, caso o primeiro negócio consiga vender o estoque com mais rapidez e manter os custos baixos.
Antes de comprar novas peças, vale acompanhar quatro números:
Com esses dados, fica mais fácil decidir quanto comprar, quais produtos procurar e quando vale oferecer descontos.
O mercado também apresenta espaço para pequenos negócios.
Dados do Observatório Setorial Territorial do Sebrae, baseados em informações da Receita Federal, apontam 24,190 empresas ativas em 2026 na categoria de comércio varejista de outros artigos usados.
Por isso, se você pensa em abrir um brechó, nossa dica é que comece pequeno, acompanhe os números e aumente o estoque conforme as vendas mostrarem quais peças têm maior procura.
O ganho depende do número de peças vendidas, dos preços praticados, dos custos de compra e das despesas mensais. Um brechó pequeno pode começar com poucas peças e aumentar o faturamento conforme o estoque gira e o negócio conquista clientes.
As peças com maior procura variam conforme público, região, preço e estilo. Roupas femininas, infantis, jeans, acessórios e produtos de marcas conhecidas podem ter boa procura, mas o empreendedor deve acompanhar as próprias vendas antes de ampliar o estoque.
Uma peça vale a compra quando apresenta bom estado de conservação, preço de aquisição compatível, possibilidade de revenda e procura entre os clientes. Também é importante verificar tamanho, marca, estilo e eventuais defeitos antes de definir quanto pagar.
A possibilidade depende da atividade escolhida, do enquadramento permitido e das regras vigentes para o MEI. Antes de formalizar o negócio, é importante consultar a atividade correspondente e verificar limites, obrigações e condições atuais de enquadramento.
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